Mortalidade infantil cai em Aparecida, mas índice ainda supera média de Goiás; Outubro Rosa reforça cuidados com mulheres

Gravida Mae Bebe Hospital
Fotos: SES/GO

Dados municipais mostram redução da mortalidade de crianças menores de um ano em 2025; ao mesmo tempo, programas estaduais ampliam rastreamento do câncer de mama e testes genéticos pelo SUS

Aparecida de Goiânia registrou redução na mortalidade infantil em 2025, mas o índice do município permaneceu acima da média estadual. Ao mesmo tempo, o início do Outubro Rosa amplia a atenção para outro ponto da saúde pública: a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama.

Dados mais recentes da Secretaria Municipal de Saúde mostram que Aparecida registrou 92 mortes de crianças menores de um ano em 2025. A taxa ficou em 12,77 óbitos para cada mil nascidos vivos, abaixo dos 13,65 registrados em 2024. Os números de 2025 ainda são considerados preliminares e podem sofrer atualização.

No Estado, a taxa de mortalidade infantil caiu de 13,13 para 10,94 mortes por mil nascidos vivos entre 2024 e 2025, redução de 16,7%. Foram 1.003 óbitos infantis em Goiás no último ano, contra 1.096 em 2024.

Aparecida teve redução, mas permanece acima da média estadual

A queda registrada em Aparecida acompanha a tendência observada em Goiás, embora o índice municipal continue mais elevado.

A série da própria Vigilância Epidemiológica de Aparecida mostra que a taxa chegou a 15,4 mortes por mil nascidos vivos em 2022. Depois caiu para 13,2 em 2023, ficou em 13,65 em 2024 e chegou a 12,77 em 2025.

Comparando 2022 com 2025, a redução chega a aproximadamente 17%.

O principal desafio continua concentrado nos primeiros dias de vida. Em 2025, a mortalidade neonatal precoce, que considera as mortes entre zero e seis dias após o nascimento, foi de 6,52 por mil nascidos vivos e permaneceu como o maior componente da mortalidade infantil no município.

Os dados reforçam a importância do acompanhamento da gestante desde o pré-natal, além da assistência adequada durante o parto e nos primeiros dias do recém-nascido.

Rede Nascer amplia acompanhamento de gestantes

Uma das estratégias adotadas em Goiás é a Rede Nascer, estruturada para integrar o atendimento às gestantes e acompanhar as crianças até os dois anos de idade.

O programa envolve planejamento familiar, melhoria do pré-natal, assistência ao parto e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças.

A previsão estadual é de R$ 50 milhões para a iniciativa em 2026, valor superior aos R$ 33 milhões previstos para 2025.

Para municípios como Aparecida, onde a mortalidade infantil ainda aparece acima da média estadual, o acompanhamento mais próximo das gestantes e dos recém-nascidos ganha importância especialmente nos casos considerados de maior risco.

Outubro também chama atenção para câncer de mama

Enquanto os indicadores materno-infantis apontam para a necessidade de acompanhamento contínuo, o mês de outubro concentra ações voltadas à prevenção do câncer de mama.

Em Goiás, 55.173 mamografias foram realizadas pelo SUS entre janeiro e julho de 2026. Em 2025, foram mais de 100 mil procedimentos registrados nas categorias de mamografia e mamografia bilateral para rastreamento.

O Estado também registrou aumento na taxa de mortalidade por câncer de mama entre as mulheres, que passou de 14,6 mortes por 100 mil em 2024 para 16,6 em 2025.

O cenário reforça a importância do diagnóstico em fases iniciais e do acesso aos exames de rastreamento.

Mulheres de Aparecida entram no programa pela UBS

Para as moradoras de Aparecida, a Unidade Básica de Saúde é a principal porta de entrada para avaliação.

A rede municipal já utiliza as UBSs para identificar mulheres que precisam de mamografia ou de investigação complementar. Mulheres com sintomas, alterações nas mamas ou indicação para rastreamento podem ser avaliadas pelas equipes e encaminhadas para os exames necessários.

Em junho deste ano, Aparecida também recebeu uma Carreta da Saúde da Mulher, com capacidade para realizar até 1.500 consultas, exames e procedimentos durante 30 dias.

A estrutura ofereceu mamografias, ultrassonografias, consultas ginecológicas e biópsias para pacientes previamente encaminhadas pela rede municipal.

Teste genético pelo SUS identifica mulheres com maior risco

Outro avanço disponível para moradoras de Aparecida que se enquadram nos critérios é o painel genético do programa Goiás Todo Rosa.

O exame procura alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a maior risco hereditário de câncer de mama e de ovário.

Até setembro de 2026, Goiás realizou 1.153 testes genéticos pelo SUS. Desses, 195 identificaram alterações relacionadas ao risco desses tipos de câncer.

O acesso começa pela Atenção Primária. A mulher passa por avaliação do histórico pessoal e familiar e, caso tenha indicação, é encaminhada pela regulação para coleta de sangue ou saliva. O material é analisado pelo Centro de Genética Humana da Universidade Federal de Goiás.

Quando uma alteração genética é identificada, a paciente pode passar a receber acompanhamento especializado e medidas preventivas de acordo com avaliação médica.

Cuidado começa antes da doença aparecer

Embora mortalidade infantil e câncer de mama representem situações diferentes, os dois indicadores têm um ponto em comum: a identificação precoce dos riscos pode mudar o caminho do atendimento.

No caso das crianças, isso significa pré-natal adequado, assistência segura ao parto e acompanhamento dos primeiros meses de vida.

Para as mulheres, envolve consultas de rotina, avaliação de alterações nas mamas, mamografia quando indicada e investigação genética para pacientes com histórico que sugira maior risco.

Em Aparecida, a atenção básica funciona como porta de entrada para essas duas frentes de cuidado.

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