Homicídios caem 38% em Aparecida, mas dados deixam alertas, veja o infográfico
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Município teve 47 registros em 2025, ante 76 no ano anterior. Redução foi mais intensa que a observada em Goiás, mas indicadores estaduais de feminicídio, fraude eletrônica e descumprimento de medida protetiva avançaram
Aparecida de Goiânia terminou 2025 com 47 registros de homicídio doloso, contra 76 em 2024. A queda foi de 38,2%, segundo balanço municipal baseado em dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO). É o sinal mais forte de que a violência letal recuou na cidade no ano passado.
O movimento não ficou restrito aos homicídios. No recorte de 1º de janeiro a 25 de julho de 2025, os números divulgados para Aparecida também mostravam menos roubos a pessoas, comércios, residências e veículos, além de redução dos furtos analisados.
Homicídios caem mais que a média de Goiás
Os 47 homicídios registrados em Aparecida em 2025 representam 29 casos a menos que os 76 de 2024. Consideradas as populações de 550.925 habitantes em 2024 e 556.021 em 2025, a taxa aproximada de registros caiu de 13,8 para 8,5 por 100 mil habitantes. O cálculo é da reportagem e não substitui a taxa oficial, porque o dado divulgado pela prefeitura se refere a registros de ocorrências, enquanto outras bases podem trabalhar com número de vítimas.
No conjunto de Goiás, o Anuário mostra uma redução menos acentuada. A taxa de vítimas de homicídio doloso caiu 16,1% entre 2024 e 2025. Já a taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) — indicador que reúne homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais — recuou 12,7%.
Em números absolutos, Goiás passou de 1.386 para 1.222 mortes violentas intencionais. A taxa estadual caiu de 18,9 para 16,5 casos por 100 mil habitantes. Portanto, o recuo de homicídios anunciado por Aparecida, de 38,2%, foi mais de duas vezes superior à redução da taxa estadual de homicídio, embora a comparação seja de ritmo e não de totais diretamente equivalentes.
O resultado de 2025 também faz parte de uma tendência mais longa em Goiás. No Anuário, a taxa estadual de MVI atingiu 46,1 por 100 mil habitantes em 2015 e chegou a 16,5 em 2025 — retração de 64,3% em uma década. Isso significa que a melhora de Aparecida ocorreu dentro de um cenário estadual de redução prolongada, e não apenas como efeito de ações iniciadas no último ano.
Roubos e furtos também recuam no período disponível
O balanço municipal mais detalhado disponível para outros crimes cobre somente o período de 1º de janeiro a 25 de julho. Na comparação com os mesmos dias de 2024, todos os indicadores divulgados apresentaram queda:
| Indicador em Aparecida | 2024 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Homicídio doloso | 48 | 24 | -50% |
| Roubo a pessoa | 413 | 229 | -44% |
| Roubo de veículo | 44 | 30 | -32% |
| Roubo a comércio | 21 | 10 | -52% |
| Roubo a residência | 16 | 8 | -50% |
| Furto de veículo | 245 | 167 | -32% |
| Furto a comércio | 423 | 250 | -41% |
| Furto a residência | 635 | 400 | -37% |
Entre os crimes violentos desse recorte municipal, o roubo a pessoa foi o mais frequente, com 229 registros. Quando também são considerados os furtos — que não envolvem violência ou grave ameaça —, o furto a residência teve o maior volume, com 400 casos, seguido pelo furto a comércio, com 250.
Melhora na Região Metropolitana
Entre municípios goianos com mais de 100 mil habitantes, Senador Canedo apareceu com taxa estimada de 27,1 homicídios por 100 mil habitantes. Aparecida veio em seguida entre as maiores cidades da Região Metropolitana de Goiânia, com 24,0. A capital registrou 14,7; Trindade, 13,3; e Anápolis, fora da região metropolitana, 7,9.
No mesmo levantamento, a taxa de Aparecida ficou acima da média de Goiás, de 19,3, e ligeiramente acima da brasileira, de 23,4. Dentro do estado, porém, Planaltina, com 32,5, Luziânia, com 31,1, e Senador Canedo, com 27,1, apresentaram taxas maiores.
O que mais caiu e o que avançou em Goiás
O cenário estadual de 2025 foi predominantemente de redução nos crimes letais e patrimoniais. Além da queda de 12,7% na taxa de MVI, o Anuário registrou recuo de 16,1% na taxa de homicídio doloso, de 7,6% nas tentativas de homicídio, de 29,3% no total de roubos e de 19,6% na soma de roubos e furtos de celulares.
O total de estupros recuou 9,5% na taxa por 100 mil habitantes, e os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica contra mulheres diminuíram 12,4%. Mesmo assim, os volumes permanecem altos: Goiás contabilizou 3.929 vítimas de estupro em 2025 e 4.213 registros de lesão corporal doméstica contra mulheres.
Alguns indicadores avançaram e exigem atenção:
| Indicador em Goiás | 2024 | 2025 | Variação da taxa |
| Fraude eletrônica | 4.733 | 5.691 | +19,1% |
| Feminicídio | 56 | 59 | +4,3% |
| Tentativa de feminicídio | 188 | 214 | +12,7% |
| Descumprimento de medida protetiva | 5.063 | 5.855 | +14,5% |
| Importunação sexual | 1.455 | 1.562 | +6,3% |
| Racismo | 770 | 940 | +20,9% |
Também houve aumento de 1,3% na taxa de pessoas desaparecidas. Os dados revelam uma transição importante: enquanto os indicadores tradicionais de homicídios e roubos recuam, fraudes digitais e parte das violências dirigidas contra mulheres e grupos vulneráveis avançam.
Integração e policiamento podem ter contribuído, mas não explicam tudo
A prefeitura e o 2º Comando Regional da Polícia Militar atribuem parte da redução em Aparecida à integração entre as forças de segurança, à intensificação do patrulhamento em áreas consideradas críticas e à fiscalização de bares e distribuidoras, especialmente em fins de semana e feriados.
O Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) foi reativado em abril de 2025. A estrutura reúne Guarda Civil Municipal, polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos municipais. A cidade também ampliou operações integradas, monitoramento de medidas protetivas e rondas preventivas em escolas, unidades de saúde, parques, feiras e prédios públicos.
De janeiro a maio de 2025, a Guarda Civil informou ter atendido 4.997 ocorrências, cumprido 1.184 ordens de serviço e realizado 9.350 abordagens durante operações do programa Aparecida + Segura. A corporação também opera o sistema de videomonitoramento Olhos de Águia e centrais locais de monitoramento.
É plausível que presença policial, compartilhamento de informações e vigilância direcionada tenham contribuído para a redução, sobretudo porque as quedas alcançaram diferentes crimes no recorte divulgado.
Totens de segurança podem ter ajudado
A análise das ações municipais precisa considerar outra situação. Em maio de 2024, a prefeitura começou a instalação de 101 totens de segurança com ampla divulgação institucional.
O projeto foi apresentado como uma iniciativa inédita no Centro-Oeste. Os totens tinham câmeras com visão de 360 graus, botão de emergência, comunicador ligado ao Centro de Inteligência Tecnológica (CIT), reconhecimento facial e leitura de placas. A promessa era agilizar o atendimento, identificar situações de risco e auxiliar na localização de foragidos e veículos roubados.
O contrato previa a implantação e a locação dos equipamentos por 12 meses, com um custo médio mensal próximo de R$ 1,5 milhão por mês. Em 2025, o serviço foi cancelado e os equipamentos começaram a ser retirados das ruas, não houve uma divulgação de resultados, apenas uma nota publicada em um documento fiscal apontando que os totens não haviam produzido efeitos mensuráveis e reais na proteção dos moradores.
Em setembro de 2024, até publicamos uma matéria mostrando como um totem ajudou a salvar uma mulher dos ataques do marido. No entanto, a Secretaria de Segurança Pública nunca divulgou quantas chamadas foram feitas pelos botões de emergência, quantos alertas a inteligência artificial gerou, quantos veículos ou foragidos foram identificados, quantas ocorrências tiveram apoio das imagens nem o tempo em que cada equipamento permaneceu ativo.
Essa ausência impede medir o custo-benefício do projeto. Também dificulta saber se a retirada reduziu a cobertura de câmeras em determinados pontos ou se as áreas foram atendidas por outros equipamentos.
Os totens funcionaram durante parte do período em que os crimes recuaram. Essa coincidência não prova que tenham provocado a queda. Da mesma forma, a redução anual dos homicídios não demonstra que a retirada tenha sido irrelevante. Para responder a essas questões, seria necessário comparar dados mensais e territoriais antes, durante e depois do funcionamento dos equipamentos.
O contraste é claro: a instalação recebeu ampla publicidade, mas o encerramento ocorreu sem a divulgação, na época, de um balanço operacional detalhado. Esse histórico reforça a necessidade de transparência. Anúncios de tecnologia na segurança pública precisam vir acompanhados de metas, resultados verificáveis e prestação de contas.
Podemos ser otimistas
Os números não mentem, a segurança tem melhorado. Isso é perceptível até pela grande maioria da população. Porém, apontar o que causou essa melhora é o grande desafio, pois ainda falta muita transparência e divulgação de resultados.
A implementação pelo estado da IA Contra o Crime deve melhorar ainda mais os números. Aqui em Aparecida mesmo, como mostramos, a ferramenta já ajudou a resolver vários casos. No fim, o que fica é a esperança de melhorar ainda mais os índices para tirarmos de vez a questão da segurança como uma preocupação.
Fontes
- 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública
- Prefeitura de Aparecida: cidade registra 47 homicídios em 2025
- Prefeitura de Aparecida: balanço de janeiro a julho de 2025
- Atlas da Violência 2026 — relatório completo
- IBGE: Aparecida de Goiânia
- SSP-GO: estatísticas e metodologia
- Prefeitura de Aparecida: integração das forças de segurança
- Prefeitura de Aparecida: balanço da Guarda Civil Municipal
- Governo de Goiás: projeto de videomonitoramento com inteligência artificial
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