De feirante em Aparecida às telas do cinema: DJ Fabrício Rodrigues participa de documentário sobre eletrofunk

Trailer do documentário A Tropa de Goiânia!

Criado nos bairros Estrela do Sul e Cidade Vera Cruz, DJ Fabrício Rodrigues conta sua trajetória de superação e representa Aparecida em filme que estreia no dia 12 de novembro.

Antes de conquistar espaço nas apresentações de eletrofunk, DJ Fabrício Rodrigues, também conhecido como DJ Fafa, passou parte da infância e da adolescência trabalhando nas feiras de Aparecida de Goiânia. Dos 11 aos 16 anos, a rotina de feirante fez parte de sua história, que agora ganha um novo capítulo nas telas do cinema.

O artista está entre os personagens do documentário A Tropa de Goiânia!, que estreia nos cinemas de Goiás no dia 12 de novembro. O longa-metragem conta a história do eletrofunk, gênero musical que nasceu na periferia goiana, ganhou força com a cultura do som automotivo e alcançou projeção nacional.

Em entrevista exclusiva ao Portal Aparecida, Fabrício relembrou suas origens e falou sobre a importância de representar a cidade em uma produção que registra a história do movimento musical.

Embora tenha nascido em Goiânia, o DJ foi criado desde pequeno em Aparecida, onde viveu nos bairros Estrela do Sul e Cidade Vera Cruz. A ligação com o município também passa pelas feiras e pelos projetos sociais dos quais participou antes de iniciar a carreira.

“Eu amo Aparecida desde pequeno. Já participei de vários projetos envolvendo música e dança antes mesmo de ser DJ”.

Das feiras de Aparecida para a música

A relação de Fabrício com a arte começou antes de sua entrada profissional no universo dos DJs. Ainda jovem, participou de projetos sociais que ofereciam atividades de música e dança, experiências que considera importantes para sua formação.

A carreira musical começou entre os 17 e 18 anos. Primeiro veio a paixão pelo funk. Depois, o contato com o eletrofunk, que mistura elementos da música eletrônica com o ritmo do funk brasileiro.

Segundo o artista, a descoberta do gênero foi imediata. Ele se identificou com as possibilidades musicais e com a potência do som.

Fabrício também atribui parte de sua trajetória às oportunidades que encontrou nos projetos sociais em Aparecida.

“Acredito que, devido aos projetos sociais que eu fazia e aos quais tive acesso, houve um grande impulso na pessoa que sou hoje”

A caminhada, no entanto, também foi marcada por dificuldades. Como artista LGBT, Fabrício relata os desafios de conquistar espaço em um cenário musical no qual, segundo ele, a representatividade ainda é pequena.

Uma história de superação que chega ao cinema

O convite para participar de A Tropa de Goiânia! surgiu por meio de um amigo envolvido na produção. Com anos de experiência e uma agenda de apresentações, Fabrício foi chamado para compartilhar sua trajetória no movimento.

Para ele, o documentário vai além da história de um gênero musical. É também uma oportunidade de mostrar as dificuldades enfrentadas pelos artistas que ajudaram a construir esse cenário.

“O público pode esperar muita superação, muita força de vontade em continuar e muita luta. Porque, querendo ou não, LGBT no eletrofunk ainda são poucos.”

A participação no filme tem um significado especial para o DJ, principalmente por permitir que sua história seja contada ao lado de outros nomes que contribuíram para o crescimento do eletrofunk em Goiás.

“Participar de um documentário sobre a trajetória do eletrofunk é uma honra e uma emoção muito grande para mim. É poder olhar para tudo o que vivi e perceber que a minha história também faz parte de uma cultura que nasceu, cresceu e conquistou seu espaço.

E poder contar essa trajetória levando o nome de Aparecida de Goiânia tem um significado ainda mais especial, porque é aqui que estão as minhas raízes. Espero que esse documentário mostre a força do eletrofunk e inspire outras pessoas a acreditarem nos próprios sonhos, sem esquecer de onde vieram.”

Fabrício também espera que sua experiência incentive outras pessoas a seguirem seus objetivos.

Aparecida também ajudou a construir a história do eletrofunk

Para DJ Fabrício Rodrigues, Aparecida de Goiânia teve uma participação importante no desenvolvimento do eletrofunk, principalmente durante o período em que o gênero ganhou identidade própria e começou a alcançar públicos maiores.

O artista destaca a atuação do DJ Wam Baster, também participante do documentário, como um dos nomes que ajudaram a fortalecer o movimento.

“O gênero já existia, mas foi aqui que ele ganhou muita força e começou a tomar a forma que a gente conhece hoje. O DJ Wam Baster teve um papel muito importante nesse processo: ele ajudou a organizar, aperfeiçoar e dar ainda mais identidade a esse som.

Então, pra mim, a cidade não apenas participou dessa história — ela ajudou a construir as bases do eletrofunk que se espalhou por tantos lugares”

Fabrício afirma que outros artistas ligados à cidade também participaram desse crescimento, reforçando a importância de Aparecida na trajetória do gênero.

Documentário estreia em 12 de novembro

Dirigido por João Lucas Ribeiro e Iuri Moreno, A Tropa de Goiânia! tem 70 minutos de duração e apresenta a história do eletrofunk desde suas origens na cultura do som automotivo até sua expansão pelo Brasil.

A produção reúne depoimentos de DJs, MCs, produtores musicais e empresários que acompanharam diferentes momentos do movimento. Entre os participantes estão DJ Fabrício Rodrigues, Wam Baster, MC Jacaré, DJ Índia, Jiraya Uai, DJ Low, DJ Tubas e outros representantes da cena goiana.

O filme também destaca a influência da Abelvolks, ligada à cultura do som automotivo, e a expansão do gênero durante a pandemia, impulsionada pelo álbum 22 Eletro Funk Especial de Quarentena, de Wam Baster.

Produzido pela Caolha Filmes, em parceria com a Fósforo Cultural e a Matuta Produções, o documentário foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo.

A estreia está marcada para 12 de novembro nos cinemas de Goiás.

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