Menino de 9 anos é resgatado de banheiro de bar em Aparecida; pai e madrasta são presos

Criança apresenta sinais de agressão.
Pai e madrasta foram presos em flagrante; menino de 9 anos foi acolhido pelo Conselho Tutelar. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Um menino de 9 anos foi resgatado em situação de maus-tratos em Aparecida de Goiânia. Segundo a Polícia Civil, a criança passava horas trancada dentro do banheiro de um bar, comia no local e era obrigada a dormir em cima de um tapete.

O pai e a madrasta foram presos em flagrante na última quinta-feira (2). De acordo com a delegada Sayonara Lemgruber, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os dois permaneceram em silêncio durante o depoimento na delegacia.

Os suspeitos devem responder pelo crime de maus-tratos majorado. Os nomes deles não foram divulgados.

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Denúncia levou a polícia até o bar

O caso veio à tona depois que a Polícia Civil recebeu uma denúncia e foi até o estabelecimento, localizado no Setor Central de Aparecida de Goiânia.

Segundo a investigação, o bar pertence ao pai da criança. O menino morava com a família em um quarto nos fundos do estabelecimento, mas era mantido no banheiro durante a noite e também ao longo do dia.

A delegada informou que a criança saía apenas durante o funcionamento do bar para que os frequentadores não soubessem da situação.

“A criança narrou que não ia ao colégio e que era mantida no local todas as noites e durante o dia também”, contou a delegada.

Criança relatou agressões

Em depoimento, o menino confirmou que há meses dormia no banheiro, em cima de um tapete. Ele também relatou que não frequentava a escola e que sofria agressões do pai e da madrasta.

Segundo Sayonara, a criança tinha marcas de agressão no corpo e contou que era agredida pelo pai com fios. O menino também relatou que já havia sido agredido pela madrasta com utensílios de cozinha.

“A criança narrou que era agredida algumas vezes, por meio de fio pelo pai, mas também já foi agredida pela madrasta com alguns utensílios da cozinha”, informou a investigadora.

Ao ser questionado, o menino disse que era mantido no banheiro por ser considerado “teimoso”. Para a delegada, nada justifica a situação relatada pela criança.

“A criança, quando foi ouvida, disse que era mantida no banheiro e passava por essa situação por ser teimosa, o que é um absurdo. Ainda que ela fosse uma criança bagunceira, mal-educada, o que não é — é uma criança muito boazinha —, ele disse que era por isso”, afirmou Lemgruber.

Em outra declaração, a delegada reforçou que a justificativa apresentada pela criança não reduz a gravidade do caso.

“Ela justifica que era mantida nessa situação por ser teimosa. É uma criança doce, educada, tranquila. Nada justifica essa situação ainda que fosse teimosa”, disse.

Menino de 9 anos
Foto: Divulgação/Polícia Civil

Menino foi acolhido pela rede de proteção

Após o resgate, o menino foi acolhido pelo Conselho Tutelar e encaminhado para um abrigo. A mãe da criança foi localizada em Goiânia.

Mesmo assim, ele permanecerá sob proteção até que seja verificado o ambiente familiar para que algum parente possa assumir a guarda.

Em nota, a Secretaria Municipal de Assistência Social de Aparecida de Goiânia informou que a criança resgatada pelo Conselho Tutelar foi encaminhada à rede municipal de assistência social.

“A Secretaria Municipal de Assistência Social de Aparecida de Goiânia informa que a criança resgatada pelo Conselho Tutelar em situação de cárcere privado e em condições insalubres foi encaminhada à rede municipal de assistência social”, diz a nota.

A secretaria informou ainda que adotou as providências cabíveis desde o acolhimento do caso.

“Desde o acolhimento do caso, a Secretaria adotou todas as providências cabíveis, garantindo que a criança fosse acolhida em uma das unidades de acolhimento institucional do município, onde recebe toda a assistência necessária, com acompanhamento técnico especializado”, informou.

A pasta também afirmou que o caso segue acompanhado pela rede de proteção, em conjunto com os órgãos competentes.

“A Secretaria reforça que o caso segue sendo acompanhado pela rede de proteção, em conjunto com os órgãos competentes, assegurando a proteção integral e a garantia dos direitos da criança, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, completou.

Caso segue sob investigação

A Polícia Civil segue investigando o caso e a apuração deve reunir depoimentos, documentos e demais elementos para esclarecer as circunstâncias em que o menino era mantido no banheiro do bar.

Enquanto isso, a criança permanece sob os cuidados da rede de proteção. A definição sobre eventual guarda por familiares dependerá de avaliação técnica do ambiente familiar e da segurança oferecida ao menino.

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