Buriti Shopping faz 30 anos: de aposta desacreditada a ponto comercial disputado

Buriti 2014

Quando o Buriti Shopping começou a sair do papel, a região onde ele foi erguido ainda não tinha o peso econômico e urbano que tem hoje. Estar na divisa entre Goiânia e Aparecida de Goiânia, longe dos endereços mais valorizados da capital naquele momento, fazia muita gente olhar o projeto com desconfiança.

Para parte do mercado e até para moradores, era um shopping numa área de divisa, sem o prestígio dos centros comerciais mais tradicionais. Três décadas depois, o cenário virou. O empreendimento chega aos 30 anos com cerca de 12 milhões de visitas por ano, mais de 3 mil empregos diretos em períodos normais e quase 4 mil nas épocas de maior movimento, consolidado como um dos centros de compras mais disputados do eixo sul da região metropolitana.

A mudança não aconteceu só dentro do shopping. Ela aparece com força na própria paisagem da Avenida Rio Verde e dos bairros do entorno. O Buriti ajudou a empurrar a ocupação comercial e a rotina de serviços numa área que, anos atrás, ainda tinha ruas de terra.

Hoje, o shopping reúne perto de 200 lojas, tem área aproximada de 40,5 mil metros quadrados, oferta serviços como Vapt Vupt, bancos, lotérica, correios, clínicas, academia, farmácia e se mantém entre os maiores de Goiás. Essa combinação explica por que ele deixou de ser visto como aposta incerta para virar referência entre Aparecida e Goiânia.

Clientela fiel

Uma das histórias que ajudam a entender essa virada é a de Nelma Ferreira da Silva, cliente do Buriti há 30 anos. Ao lembrar da chegada à região, ela descreve um tempo em que o entorno ainda tinha estrada de chão, pouca estrutura e um ritmo muito diferente do atual. Antes da urbanização ganhar força, circular por ali era enfrentar poeira, lama em alguns períodos e um cenário quase rural em certos trechos. O asfaltamento da via de acesso até a casa dela veio depois, e a construção do shopping passou a ser vista como sinal concreto de que aquela parte da cidade entrava numa nova fase.

Nelma acompanhou o empreendimento desde o alicerce, viu a abertura da primeira fase, depois as expansões e passou a enxergar no Buriti um lugar de convivência regular. Em um período difícil, durante o tratamento de um câncer, encontrou no shopping uma espécie de refúgio para aliviar a mente. Caminhar pelos corredores, fazer compras simples e manter uma rotina fora de casa ajudou a dar leveza a uma fase pesada da vida.

Evolução das lojas

A trajetória da Moya Joias ajuda a contar outra parte dessa história. Cláudia Moia, Karina Moia e Kátia Moia estão há 26 anos no shopping e atravessaram, junto com o empreendimento, várias etapas de expansão. Quando chegaram, o Buriti ainda era percebido como um centro comercial menor, quase como uma galeria em comparação com o que é hoje. O movimento existia, mas o shopping ainda construía sua identidade e seu público. Foi ali que as sócias aprenderam o varejo na prática, consolidaram um negócio familiar e criaram uma base de clientes que continuou crescendo conforme o próprio Buriti amadurecia.

No lado de dentro, a história de Nelson Elislande ajuda a mostrar o mesmo processo por outro ângulo. Há 21 anos trabalhando no Buriti Shopping, ele entrou depois de já ter passado por outras empresas e encontrou ali um ambiente em que conseguiu crescer profissionalmente. Na leitura dele, o trabalho no shopping foi importante não apenas para a carreira, mas para a forma de lidar com pessoas e com o próprio cotidiano.

De patinho feio a endereço disputado

A grande virada da história do Buriti está justamente aí. O que nasceu na borda entre duas cidades, num trecho antes visto por muita gente como menos nobre, acabou se tornando peça central de um corredor urbano cada vez mais valorizado. Bairros como o Jardim Nova Era, Vila São Tomás, Jardim Luz e Setor dos Afonsos, sofreram uma enorme valorização com o shopping, além do crescimento do comércio e dos serviços ao redor.

Lembro que muitos dos meus clientes, que tinham lojas no Flamboyant e Bougainville, não abriram loja no Buriti porque era o “shopping da periferia”, mas não demorou muito, em pouco tempo o sucesso e movimento do shopping foi tão grande, que todos queriam abrir loja lá, mas já não tinha mais vagas.
Selvino Cantuária, morador de Aparecida

Um estudo acadêmico de 2007 apontou o Buriti Shopping como agente estruturador do espaço urbano de Aparecida de Goiânia. A conclusão é importante porque ajuda a tirar a discussão do campo da impressão e colocá-la no campo da análise urbana. O shopping não apenas ocupou um terreno; ele puxou fluxo, mexeu no valor das áreas próximas e alterou a lógica de ocupação daquele pedaço da cidade. O crescimento da Rio Verde como eixo de comércio, serviço e passagem intensa tem relação direta com esse processo.

Buriti 2010
Valorização do entorno do Buriti é grande, com comércios e prédios.

Quando se fala em valorização, há exemplos bem concretos. Um deles é o próprio asfaltamento e a melhoria viária apontados por quem mora na região há décadas. Outro é a mudança do perfil do entorno, que deixou de ser marcado por vazios e passou a concentrar edifícios, comércio e circulação intensa. O bairro Parque Amazônia, por exemplo, que é vizinho ao shopping, possui um dos metros quadrados mais altos de Goiânia, na faixa de R$ 8 mil a R$ 11 mil. A proximidade com o Buriti e com a estrutura consolidada da Rio Verde entra como um dos fatores que ajudam a manter esse interesse.

Nova fase sem perder o público antigo

Se o Buriti conseguiu virar esse jogo, foi porque não ficou parado. Nos últimos anos, o shopping entrou numa fase de atualização mais visível. O principal símbolo disso é o Terraço Buriti, espaço gastronômico lançado com investimento de R$ 16 milhões e pensado para ampliar convivência, lazer e permanência do público. A renovação do mix também veio com a chegada de marcas como Daiso, Vivara e Aramis, numa tentativa clara de reposicionar o shopping sem romper com a base de clientes construída ao longo do tempo.

O Portal Aparecida já tinha mostrado, em 2025, que esse investimento marcava uma nova fase do empreendimento em Aparecida. Essa soma de lojas, serviços públicos e conveniência ajuda a explicar por que o Buriti continua cheio mesmo num cenário em que o consumidor está cada vez mais seletivo. Até as atrações sazonais mostram esse esforço de manter o shopping vivo para públicos diferentes, como a feira de adoção de pets. O shopping que antes precisava provar que daria certo hoje disputa tempo, atenção e permanência do público com um pacote mais completo.

Deu Match com Meu Pet
Feira de adoção e outros eventos são frequentes no shopping.

O que os 30 anos realmente mostram

O aniversário do Buriti não chama atenção apenas pela idade. O que impressiona é a transformação do seu significado. O shopping que nasceu num pedaço da cidade tratado com desconfiança conseguiu virar um dos retratos mais visíveis da mudança urbana entre Aparecida e Goiânia. Nelma mostra isso pelo olhar de quem viu a poeira dar lugar ao asfalto. A família Moia mostra pelo lado de quem construiu negócio dentro do empreendimento. Nelson mostra pela trajetória de quem cresceu profissionalmente no mesmo endereço. E a administração, representada pelo superintendente Bruno Furlanetto, reforça a leitura de que o Buriti cresceu ao mesmo tempo em que o entorno se valorizou e ganhou novo peso no mapa da região metropolitana.

Depois de 30 anos, o que vamos acompanhar agora não é mais se o Buriti deu certo. Isso já ficou para trás faz tempo. O ponto central, daqui em diante, será observar como esse shopping, que um dia foi tratado como endereço improvável na divisa, vai sustentar o peso de continuar sendo um dos lugares mais movimentados, lembrados e valorizados de todo esse eixo entre Aparecida e Goiânia.

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