Produtoras de Aparecida podem disputar R$ 30 milhões para filmes e séries em Goiás

Sala de Cinema
Foto: Secult Goiás

Chamadas oferecem recursos de até R$ 4 milhões por projeto para produção de longas, documentários e séries; inscrições começam em 8 de outubro

Produtoras audiovisuais de Aparecida de Goiânia poderão disputar recursos de dois novos editais que vão destinar R$ 30 milhões à produção e comercialização de filmes e séries em Goiás.

As inscrições começam em 8 de outubro e serão realizadas pelo Sistema BARU 2.0, com acesso pelo Portal Expresso Goiás.

As chamadas foram lançadas nesta quarta-feira (30) pela Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult) e utilizam recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Ao todo, R$ 29 milhões serão destinados à produção de obras e outros R$ 1 milhão à comercialização de longas-metragens nos cinemas.

Aparecida já tem produtoras atuando no setor

O edital abre uma possibilidade para empresas do setor audiovisual estabelecidas em Aparecida, que já conta com produtoras dedicadas à produção cinematográfica.

Uma delas é a Tico-Tico Filmes, sediada na cidade e especializada em longas-metragens de ficção e documentários. O portfólio divulgado pela produtora reúne trabalhos de produção e roteiro em diferentes filmes. A empresa também informa ter sido contemplada pela Lei Paulo Gustavo em 2023. A aplicação da mesma lei em iniciativas audiovisuais de Aparecida também aparece no projeto Cinema na Praça, que levou exibições gratuitas de filmes a diferentes pontos da cidade.

Outra é a Lembra Filmes, localizada no setor Mansões Paraíso. A produtora atua com produções cinematográficas e corporativas e informa já ter realizado curtas-metragens, documentários e projetos de formação audiovisual voltados, entre outros temas, às narrativas periféricas.

A Plataforma de Cultura de Aparecida também reúne agentes locais ligados à produção de vídeos, cinema, comunicação e outras atividades audiovisuais.

A existência dessas empresas e profissionais mostra que a nova chamada pode ter impacto direto no setor cultural da nossa cidade.

Isso não significa, porém, que todas estejam automaticamente habilitadas. Cada empresa interessada deverá cumprir integralmente os requisitos previstos nos editais.

Quem pode disputar os R$ 29 milhões

O maior dos dois editais é voltado à Produção de Longas-Metragens para Sala de Cinema e Obras Seriadas para TV/VOD.

Podem participar produtoras brasileiras independentes que estejam sediadas em Goiás há pelo menos quatro anos e regularmente registradas na Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Portanto, produtoras de Aparecida que atendam a essas duas condições poderão apresentar projetos.

As inscrições ficarão abertas de 8 de outubro até as 18h de 30 de novembro de 2026.

Quanto cada projeto poderá receber

O edital prevê selecionar 18 projetos, divididos em quatro categorias.

Três longas-metragens de ficção ou animação receberão R$ 4 milhões cada, totalizando R$ 12 milhões.

Outros cinco longas de ficção ou animação poderão receber R$ 2 milhões cada, somando mais R$ 10 milhões.

Para documentários, serão oito projetos selecionados, com investimento de R$ 600 mil para cada produção. O total dessa categoria chega a R$ 4,8 milhões.

Também serão escolhidas duas obras seriadas de ficção ou animação, destinadas à televisão ou plataformas de vídeo sob demanda, com R$ 1,1 milhão para cada projeto.

Somadas, as quatro categorias movimentarão R$ 29 milhões.

O que será analisado

A seleção não será feita apenas pela documentação apresentada.

Os projetos passarão inicialmente por análise de mérito e os selecionados para a fase seguinte participarão de uma apresentação oral, conhecida no setor audiovisual como pitching.

Entre os pontos considerados estarão originalidade do tema, proposta artística, narrativa, roteiro, potencial de circulação da obra, cronograma, estratégia comercial e experiência da empresa e da equipe.

A valorização da cultura regional de Goiás também aparece entre os critérios.

Isso pode abrir espaço para projetos que levem para as telas personagens, histórias, lugares e experiências de municípios goianos, inclusive de Aparecida.

A cidade, por exemplo, já aparece como cenário e objeto de produções audiovisuais. A presença de realizadores locais também foi destaque no Festival Curta Aparecida, que reuniu filmes produzidos por moradores do município. Um projeto cadastrado na Ancine em 2026 prevê um documentário sobre uma mulher que vive há mais de quatro décadas na periferia de Aparecida, utilizando arquivos familiares e registros atuais de seu cotidiano.

Parte dos recursos terá critérios de representatividade

O edital de produção também determina percentuais mínimos para ampliar a participação de grupos historicamente menos representados no setor.

Pelo menos 50% dos recursos deverão ser destinados a projetos que tenham mulheres cis ou pessoas trans exercendo funções de roteiro, direção ou produção.

Outros 25%, no mínimo, serão destinados a empresas cujo quadro societário seja composto majoritariamente por pessoas negras, indígenas ou pessoas com deficiência.

Dentro desse percentual, pelo menos 15% do total dos recursos deverá ser reservado a empresas com quadro societário majoritariamente negro.

Segundo edital vai ajudar filmes a chegar aos cinemas

O outro R$ 1 milhão será destinado à comercialização de longas-metragens brasileiros independentes nas salas de cinema.

Nesse caso, poderão participar distribuidoras brasileiras independentes registradas na Ancine e sediadas em Goiás há pelo menos dois anos.

As inscrições começam também em 8 de outubro e terminam às 18h de 1º de dezembro.

Os filmes apresentados poderão ser de ficção, animação ou documentário e precisam estar concluídos ou em fase de finalização.

Os projetos poderão solicitar participação do Fundo Setorial do Audiovisual equivalente a 50%, 80% ou 100% dos itens que podem ser financiados pelo edital.

Produzir e colocar o filme no mercado

Os dois editais atingem etapas diferentes da cadeia audiovisual.

O primeiro financia a realização de filmes e séries, enquanto o segundo procura apoiar a chegada das obras às salas de cinema.

Na prática, uma chamada trabalha a produção e a outra a comercialização.

As iniciativas fazem parte do programa Arranjos Regionais do Fundo Setorial do Audiovisual, desenvolvido em parceria com o Ministério da Cultura, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e Ancine.

Como se inscrever

As inscrições para os dois editais serão realizadas exclusivamente pelo Sistema BARU 2.0.

Para entrar na plataforma, o interessado precisará utilizar usuário e senha vinculados ao Portal Expresso Goiás.

Antes de enviar o projeto, é importante verificar especialmente o tempo de sede da empresa em Goiás, a situação do registro junto à Ancine e toda a documentação exigida para cada modalidade.

Os editais completos, anexos, critérios de avaliação e cronogramas estão disponíveis nos canais da Secretaria de Estado da Cultura.

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