Moradoras de Aparecida podem doar leite materno com coleta em casa
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O leite que sobra depois de alimentar um bebê pode terminar ajudando outro recém-nascido internado em uma UTI. E, para fazer essa doação, a mãe nem precisa sair de casa.
O Banco de Leite Humano do Hospital Estadual da Mulher (Hemu) faz a coleta na Região Metropolitana de Goiânia, incluindo Aparecida, em parceria com o Corpo de Bombeiros. A equipe orienta a doadora, fornece os recipientes adequados e depois busca o leite armazenado na residência.
Neste mês, porém, falta leite para acompanhar a demanda.
O banco mantém atualmente cerca de 200 litros, enquanto precisa chegar a aproximadamente 400 litros para atender com segurança os recém-nascidos que dependem das doações.
Os principais beneficiados são bebês prematuros internados na UTI Neonatal do Hemu, muitos deles ainda sem condições de receber todo o leite diretamente da própria mãe.
É aí que a doação de outra mulher passa a fazer parte do tratamento.
Quem está amamentando pode ajudar
Não é preciso produzir grandes quantidades para se tornar doadora.
Mulheres que estão amamentando, estão saudáveis e produzem leite além do necessário para o próprio bebê podem procurar o Banco de Leite para passar pela orientação da equipe. O uso de determinados medicamentos também é avaliado antes do cadastro.
Depois disso, a retirada pode ser feita em casa. Em Aparecida, isso torna a doação mais simples para quem teria dificuldade em atravessar a Região Metropolitana com um bebê pequeno apenas para entregar os frascos em Goiânia.
O primeiro contato pode ser feito pelo WhatsApp (62) 3956-2921. A equipe explica como higienizar as mãos e os utensílios, realizar a retirada, armazenar corretamente o leite e organizar a coleta.
O Banco de Leite também fornece os frascos esterilizados e cuida do transporte até o hospital. O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
O leite não vai direto do frasco para o bebê
Quando chega ao Hemu, o leite doado passa por um processo antes de ser oferecido aos recém-nascidos.
As amostras são avaliadas, passam por controle de qualidade e são pasteurizadas. Depois, o leite é armazenado de forma adequada até sua utilização pelos bebês internados.
Todo esse cuidado é necessário porque muitos dos pacientes que recebem as doações são prematuros ou têm baixo peso e estão entre os recém-nascidos mais vulneráveis do hospital.
Segundo o Ministério da Saúde, dependendo do tamanho e da necessidade de cada bebê, um único frasco de leite humano pode ajudar a alimentar até dez recém-nascidos prematuros ou de baixo peso.
Déficit não começou agora
A dificuldade para manter o Banco de Leite abastecido já vinha aparecendo antes do Agosto Dourado. Em abril deste ano, o Hemu informou que possuía aproximadamente 150 litros em estoque e precisava de cerca de 300 litros. Naquele momento, havia por volta de 50 doadoras ativas.
Agora, o volume armazenado chegou a 200 litros, mas a necessidade também aumentou e está em torno de 400 litros. A campanha deste mês tenta justamente aumentar o número de mulheres que incorporam a doação à rotina enquanto estão amamentando.
Por que o leite humano faz tanta diferença?
Para um bebê prematuro, receber leite humano não significa apenas receber alimento.
Ele fornece proteínas, vitaminas, água e outros nutrientes, além de anticorpos e células de defesa importantes para um organismo que ainda está em desenvolvimento.
“Para o bebê prematuro, esse alimento é ainda mais importante”, explica Renata Leles, coordenadora do Banco de Leite Humano do Hemu.
A recomendação de procurar novas doadoras ganha destaque durante o Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo e à proteção do aleitamento materno. A cor faz referência ao chamado “padrão ouro” do leite humano.
Mas a falta de leite não termina quando agosto acaba.
“Cada doação faz diferença. E necessitamos que isso ocorra para além do mês de agosto. Quando uma mãe doa o leite que tem em excesso, ela ajuda a alimentar e proteger outro bebê que está precisando”, afirma Renata.
Como doar
O caminho começa pelo celular.
A mãe interessada pode mandar mensagem para o WhatsApp (62) 3956-2921 e conversar diretamente com a equipe do Banco de Leite Humano do Hemu.
Depois das orientações e do cadastro, a coleta pode ser organizada na própria residência para doadoras de Goiânia e da Região Metropolitana. Quem preferir também pode procurar o próprio Banco de Leite, que fica no Hospital Estadual da Mulher, na Rua R-7, Setor Oeste, em Goiânia.
Para uma mãe, pode ser apenas aquele leite que o próprio filho não conseguiu consumir. Para um recém-nascido internado, o mesmo frasco pode fazer parte da alimentação necessária para ganhar peso, se desenvolver e finalmente deixar a UTI.
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