Governo de Goiás aumenta distribuição de medicamentos de alto custo; veja como solicitar

Remédio de Alto Custo
Fotos: Iron Braz

Famílias de Aparecida de Goiânia que dependem de medicamentos de alto custo ganharam mais espaço na rede estadual de atendimento. O serviço é feito pelo Centro Estadual de Medicação de Alto Custo Juarez Barbosa, em Goiânia, e atende pacientes que precisam de remédios para doenças crônicas, raras e de alta complexidade.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, o número de entregas de remédios no Cemac passou de 676.818, em 2019, para 1.494.207, em 2025. O crescimento foi de 120,8% no período. Somente de 2024 para 2025, a alta chegou a 23,3%. Para 2026, a previsão do governo é chegar a 1,84 milhão de entregas de medicamentos.

Somente em 2025, os medicamentos de alto custo distribuídos pelo Cemac custaram R$ 411,7 milhões, sendo R$ 352 milhões pagos com recursos do Tesouro Estadual, conforme dado divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde. Este ano, o orçamento total previsto pelo PCA de Abril, prevê um gasto que supera 1 Bilhão de Reais.

O avanço também aparece no cadastro de pacientes. Em 2019, o Cemac registrou 15.798 novos pacientes. Em 2025, o número de novos cadastros subiu para 32.336. No total, o número de cadastrados passou de 35.005 para 140.443 nesses 6 anos.

Pedido pode ser feito pela internet

A solicitação de abertura de processo ou inclusão de medicamento pode ser feita pelo Portal Expresso. Para enviar os documentos, o paciente precisa ter cadastro no Gov.br, além de reunir exames, prescrição médica e o LME, que é o Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos.

Antes de solicitar, o paciente precisa consultar no site do Cemac se o medicamento está na lista oficial de medicamentos disponíveis. A lista aparece na opção PCA de Medicamentos, que é a lista de remédios que o Governo já inclui em sua lista de compras do ano. Essa lista é atualizada com frequência, então é sempre importante acessar o site oficial e conferir a lista mais atualizada.

Quem já tem processo ativo não precisa começar tudo de novo quando houver apenas alteração de dose ou apresentação do remédio, como comprimido ou solução oral. Nesses casos, basta apresentar a prescrição no guichê de dispensação, junto com o protocolo, para análise.

Os medicamentos mais caros

A lista de medicamentos desse ano mostra que alguns tratamentos têm peso maior no orçamento por causa do valor de cada unidade. É o caso da Vutrisirana Sódica, conhecida como Amvuttra, que pelo orçamento deve custa mais de R$ 5 milhões cada unidade. Ela é indicada para pacientes que nascem com a doença hATTR (Amiloidose Hereditária mediada por Transtirretina com Polineuropatia), uma doença raríssima que afeta 1 a cada 450 mil pessoas e que causa problemas cardíacos e musculares. A doença é progressiva e fatal, ou seja, sem o uso do remédio o paciente vai ficando debilitado até a morte em um prazo de poucos anos. O uso do remédio é contínuo por toda a vida do paciente.

Outro remédio que chama atenção é o Nusinersena, que custa mais de R$ 300 mil a unidade. Esse é o remédio usado para tratar a AME (Atrofia Muscular Espinhal), uma doença que causa atrofia e eventual morte do paciente. A doença afeta crianças em diferentes idades, mas pode aparecer logo após o parto, nesse caso, se não houver tratamento a criança não sobrevive além dos 2 anos de vida. Esse também é um remédio que o paciente deve tomar pela vida toda. Há um novo remédio para tratamento da AME que é de uso único, mas pode custar mais de R$ 10 milhões, se trata do Zolgensma, que também já é ofertado pelo SUS, mas não aparece no PCA do Governo Estadual.

Apesar do nome de Alto Custo, não são só remédios muito caros que fazem parte da lista. Para o SUS, qualquer remédio que seja imprescindível para manter uma pessoa saudável, é considerado de Alto Custo. É o caso da Dapagliflozina, um remédio que não é caro, cada comprimido sai a menos de R$ 4 reais, mas é amplamente usado e distribuído, pois serve para tratamento da Diabetes Tipo 2, para quem tem problemas no coração e para tratar doenças crônicas nos Rins. No total, o Governo Estadual estima gastar mais de R$ 20 milhões esse ano com o Dapagliflozina.

E se o remédio não estiver na lista?

Caso o medicamento indicado pelo médico não apareça na lista do Cemac, o paciente não deve encerrar a busca sem antes conferir alguns detalhes. Primeiro, verifique se o nome usado na consulta é o princípio ativo do remédio, e não o nome comercial vendido em farmácias. Também é necessário confirmar com o médico o CID-10 da doença e se existe outro medicamento previsto no protocolo do SUS para o mesmo tratamento.

Se mesmo assim o remédio não estiver na lista e o tratamento for considerado indispensável, o paciente pode buscar orientação na Ouvidoria do SUS, na Secretaria Municipal de Saúde e na Defensoria Pública, levando receita, laudos, exames e documentos pessoais, se necessário a Defensoria Pública pode tentar conseguir o remédio por meios judiciais.

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