Polícia mira esquema ligado ao PCC e cumpre mandados em Aparecida

Agente da policia civil
Ação da Polícia Civil de São Paulo investiga uso de contratos públicos para lavar dinheiro do tráfico. Foto: Reprodução

Na segunda-feira, 27 de abril, uma operação contra PCC teve desdobramentos em Aparecida de Goiânia e Goiânia durante uma ofensiva da Polícia Civil de São Paulo contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. Ao todo, a ação prendeu quatro pessoas, cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de mais de R$ 513 milhões em bens ligados aos investigados.

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Os mandados foram executados em sete cidades paulistas, em Brasília, em Londrina e em duas cidades goianas. Até o momento, o material divulgado não detalhou quem foram os alvos específicos localizados em Aparecida e Goiânia. Mesmo assim, a presença de mandados no estado colocou Goiás entre os pontos estratégicos da apuração.

Como o esquema teria funcionado

Segundo a investigação, a principal engrenagem do grupo estaria no uso de contratos firmados entre prefeituras e uma fintech chamada 4TBank. Na prática, esse mecanismo teria servido para dar aparência de legalidade a recursos ligados ao crime organizado, com o dinheiro circulando por estruturas empresariais e institucionais até retornar ao esquema já com aparência formal.

A polícia aponta João Gabriel de Mello Yamawaki, criador da 4TBank, como um dos principais nomes da rede de negócios investigada. Além dele, o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula foi preso e é apontado como braço direito da estrutura. De acordo com a apuração, ele teria ligação com a liderança do PCC na região do ABC paulista.

O delegado Fabrício Intelizano, responsável pelo caso, afirmou, em síntese, que a investigação encontrou uma estrutura sofisticada, pensada não apenas para lucrar com atividades ilícitas, mas também para se infiltrar no setor público e ampliar esses ganhos com aparência de legalidade. Por trás disso, a polícia sustenta que o grupo buscava usar a máquina pública como rota de circulação do dinheiro.

Fundação e articulação política entraram no radar

Outro ponto da investigação envolve o uso de fundações sem fins lucrativos como parte do suposto caminho de lavagem. Entre elas, aparece a Fundação Sagres, citada como destinatária de parte dos recursos sob suspeita. A apuração também menciona entidades ligadas a Adair Antônio de Freitas Meira, proprietário do Sistema Sagres de Comunicação, apontado como interlocutor do grupo em Brasília.

Segundo a polícia, boletos emitidos pelo 4TBank eram pagos e, depois, parte dos valores retornava em espécie. Em resposta, a Fundação Sagres informou que tomou conhecimento da operação e disse confiar no esclarecimento dos fatos pelas instâncias de investigação. Além disso, a entidade reforçou seu compromisso institucional com comunicação, educação e cultura.

O que já se sabe até aqui

Por enquanto, o caso avança com foco em lavagem de dinheiro, infiltração no setor público e uso de contratos para movimentar recursos suspeitos. No caso de Aparecida, o interesse local está justamente no fato de a cidade aparecer entre os municípios alcançados pelos mandados, mesmo sem detalhamento público sobre os alvos em Goiás.

A operação amplia a atenção sobre a relação entre estruturas empresariais, contratos públicos e dinheiro do crime organizado. Daqui para frente, o avanço das investigações deve mostrar qual foi o tamanho do elo entre os investigados, as prefeituras citadas e a movimentação financeira que agora está sob bloqueio judicial.

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