Jovem de Aparecida viraliza com app que projeta jogos em qualquer parede
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- atualizado às 10:53
Rhuam Phillip desenvolveu sozinho o ProjeVerse após perder o emprego; projeto criado nas Chácaras São Pedro já foi baixado por mais de 10 mil usuários no Steam
No início de julho, Rhuam Phillip estava diante de uma mudança inesperada. Depois de ser dispensado do trabalho, voltou a ter na casa dos pais, em Aparecida de Goiânia, a base necessária para decidir o que faria a seguir.
Foi na garagem da residência, na Chácaras São Pedro, bairro onde nasceu, que ele improvisou um pequeno estúdio. Poucas semanas depois, daquele espaço sairia um projeto que chegaria a computadores de usuários por meio da Steam, uma das maiores plataformas de distribuição de jogos e softwares do mundo.
O nome do projeto é ProjeVerse.
A proposta é transformar objetos comuns de uma casa em parte de experiências digitais. Com um computador e um projetor, pequenos personagens 2D podem aparecer caminhando sobre livros, mesas, notebooks e outros objetos reais.
“Minha relação com a cidade é direta, porque foi aqui também que criei o ProjeVerse”, conta Rhuam.
Uma ideia que começou olhando para os objetos de casa
Rhuam sempre se interessou por projeção mapeada, jogos e experiências visuais. Antes mesmo do ProjeVerse, já fazia testes utilizando câmeras e projetores para criar efeitos interativos.
A ideia que daria origem ao projeto surgiu quando ele começou a imaginar como os objetos da própria casa poderiam se tornar parte de um jogo.
“Pensei: ‘E se eu conseguisse fazer um jogo de plataforma em que a fase fosse exatamente os objetos da minha casa?’”, lembra.
Como a projeção cria uma imagem bidimensional, a associação com os tradicionais jogos de plataforma 2D veio naturalmente. Nos primeiros testes, Rhuam utilizou um personagem inspirado em Super Mario para descobrir se a ideia funcionava.
Funcionou.
O personagem parecia caminhar sobre os objetos da casa. Rhuam publicou o resultado no Instagram e percebeu que a curiosidade não era apenas dele.
As pessoas começaram a pedir uma forma de experimentar aquilo também.

Do primeiro teste à Steam em menos de um mês
Rhuam começou a desenvolver o ProjeVerse no início de julho de 2026. No mesmo mês, conseguiu transformar os experimentos em uma primeira versão disponível ao público.
Em 30 de julho, o programa foi lançado na Steam. O intervalo entre a ideia e a publicação foi de poucas semanas. Tudo foi desenvolvido na garagem da casa dos pais, sem equipe e sem financiamento externo.
Rhuam também não é programador de formação. Ele define sua função no projeto como a de diretor: pensa nas experiências, estabelece a lógica de funcionamento, trabalha no visual, realiza testes e decide os caminhos que a plataforma deve seguir.
Para transformar as ideias em código, passou a utilizar ferramentas de inteligência artificial, principalmente Codex e Claude AI.
“A inteligência artificial foi uma ponte para tornar realidade aquilo que eu tinha em mente. O conceito, as ideias, os testes e o direcionamento do ProjeVerse foram criados por mim”, explica.
R$ 751 para colocar a ideia no mundo
Outro aspecto chama atenção pelo tamanho do investimento inicial.
Segundo Rhuam, até agora foram aproximadamente R$ 751 investidos no ProjeVerse. O valor inclui a taxa de publicação na Steam, publicidade e assinaturas de ferramentas de inteligência artificial.
Somente a taxa necessária para disponibilizar o programa na plataforma ficou próxima de R$ 500.
Não houve investimento de empresas, programas de incentivo ou instituições.
Depois de perder o emprego, ele permaneceu na casa dos pais enquanto desenvolvia uma ideia que, naquele momento, ainda não gerava nenhuma receita.
Um vídeo começou a mudar o tamanho do projeto
Depois do primeiro experimento, Rhuam passou a desenvolver personagens próprios.
Um deles foi o Esquadrão Sombra.
O segundo vídeo publicado sobre o ProjeVerse, já utilizando a criação própria, começou a circular de maneira orgânica nas redes sociais.
Segundo dados fornecidos pelo desenvolvedor, o conteúdo chegou a 245 mil visualizações, com mais de 13 mil curtidas, 1,3 mil compartilhamentos, 1,4 mil salvamentos e quase mil novos seguidores.
Um detalhe chamou especialmente a atenção: 99,4% das pessoas que viram o vídeo, não seguiam o perfil. Mas seria outro personagem que levaria o projeto a um público ainda maior.

A “Dança do Barrigudo” passa das 600 mil visualizações
Na experiência chamada Dança do Barrigudo, um personagem aparece caminhando sobre o notebook do irmão de Rhuam e, em seguida, começa a dançar sobre o equipamento.
A cena simples se tornou o conteúdo de maior alcance do projeto.
O vídeo ultrapassou 661 mil visualizações. Nesse caso, após perceber o potencial de engajamento, Rhuam também investiu em divulgação paga para ampliar o alcance.
Enquanto os vídeos apresentavam o conceito para novas pessoas, os primeiros usuários também começavam a chegar à Steam.
No próprio dia do lançamento, 2.209 licenças gratuitas do ProjeVerse foram adquiridas na Steam, um mês depois já eram 9.797 licenças adquiridas.
Personagens saem da tela e vão para os móveis
Para Rhuam, o principal diferencial do ProjeVerse está justamente na sensação criada pela projeção.
Em vez de observar um personagem dentro da tela do computador ou através da câmera de um celular, o usuário olha diretamente para o ambiente.
O personagem parece estar ali.
“É a ilusão de que aquele personagem 2D saiu do mundo de fantasia dele e veio para o nosso”, resume.
Livros podem se transformar em plataformas. Uma mesa pode fazer parte de uma fase. A superfície de um notebook pode virar palco para uma dança.
O sistema também não depende de equipamentos muito específicos. Segundo o criador, são necessários basicamente um computador ou notebook e um projetor.
E a proposta não se limita aos personagens.
Projeção também vira arte e decoração
O ProjeVerse foi estruturado como uma plataforma capaz de receber diferentes experiências.
Atualmente, há conteúdos gratuitos e outras experiências pagas disponíveis para baixar, além de uma área de novidades dentro do próprio programa.
Rhuam também criou um sistema de presentes pelo qual pode liberar novas experiências gratuitamente aos usuários.
Uma das próximas será chamada Minas e Cavernas.
Outro projeto em desenvolvimento utiliza partículas e uma estética mais abstrata, voltada principalmente para arte visual e decoração.
A intenção é ampliar progressivamente o que pode ser feito com um projetor dentro de casa.
E a garagem continua em Aparecida
Rhuam pretende continuar desenvolvendo o ProjeVerse em Aparecida de Goiânia.
Novos personagens, jogos, experiências visuais e recursos já estão nos planos.
Para ele, o objetivo final é transformar o projetor em algo que deixe de ser utilizado apenas ocasionalmente para filmes ou apresentações e passe a ocupar outro espaço dentro das casas.
“A ideia é fazer as pessoas ligarem o projetor todos os dias como se estivessem ligando um videogame.”
Para baixar e testar o ProjeVerse basta ir até a plataforma Steam, é de graça! Acompanhe o Rhuam no Instagram para saber das novidades do projeto.
Mais do que os números alcançados na Steam ou nas redes sociais, a trajetória de Rhuam Phillip carrega um significado especial. É uma história que leva o nome de Aparecida para além das divisas de Goiás e ajuda a mostrar que inovação, talento e boas ideias também nascem aqui.
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