Eu não assisto, mas sei de tudo
Por Sebastião Silva- Publicado em
O BBB começou essa semana e eu descobri isso do jeito mais moderno possível: ouvindo conversa dos outros. Não liguei a televisão, não procurei nada na internet, mas bastou ir à padaria, sentar um pouco na calçada e atender uma ligação dos filhos para ficar atualizado como se tivesse assinatura premium.
Eu nunca fui muito chegado em reality show. Essa coisa de gente sendo filmada vinte e quatro horas por dia sempre me pareceu cansativa demais. Já acho difícil viver sem plateia, imagine com câmera em cima o tempo todo. Ainda assim, o programa se infiltra na vida da gente de um jeito curioso. Você não assiste, mas sabe. E sabe bastante.
Na primeira roda de conversa, fiquei sabendo que um antigo morador do Colina Azul poderia entrar no BBB. E que este ano tem até jogador campeão do mundo participando. Achei curioso. Antigamente, jogador aposentado virava comentarista ou dono de escolinha. Agora vira confinado nacional. O mundo realmente muda de lugar rápido.
Depois ouvi que um ator famoso precisou desistir do programa logo na primeira semana, depois de convulsionar duas vezes durante uma prova de resistência. A cena foi televisionada para o Brasil inteiro, gente assistindo em tempo real algo que, fora da televisão, seria tratado com silêncio, cuidado e respeito. Aquilo me fez pensar que, às vezes, a câmera chega antes da sensibilidade.
Mais tarde, outro assunto apareceu. Um participante que já disse várias vezes, lá dentro mesmo, que traiu a mulher grávida. Segundo ele, foi perdoado. Segundo a internet, pode ser mentira. Tem gente dizendo que é tudo estratégia, fake news combinada, para a esposa ganhar seguidores. Verdade ou não, o fato é que a vida íntima de alguém virou debate público, como se fosse roteiro de novela.
O mais curioso é que nada disso é exclusivo da televisão. A diferença entre o BBB e as redes sociais anda cada vez menor. Todo mundo se expõe um pouco demais, conta o que não precisa, dramatiza o que daria para resolver em silêncio. A vida virou conteúdo, e o erro virou engajamento.
Talvez seja por isso que esses programas façam tanto sucesso. Eles só colocam uma moldura mais explícita no que já acontece fora da tela. A gente observa, julga, escolhe lado, cancela, defende — tudo sem conhecer de verdade quem está ali.
E olha que isso foi só na primeira semana. Confusão, desistência, boato, trauma, celebridade, ex-jogador, fofoca conjugal, estratégia de internet. Tudo isso eu fiquei sabendo sem assistir a um episódio sequer. No fim das contas, cheguei a uma conclusão simples, dessas que não precisam de votação:
— Reality show não é mais só o que passa na televisão; é só a parte da vida que ainda admite que está sendo exibida.
Escrito Por Sebastião Silva
Aos 65 anos, Sebastião carrega nas mãos a memória de uma cidade inteira. Chegou em Aparecida no fim dos anos 70, quando tudo ainda era barro e promessa. Foi serralheiro por décadas até se aposentar — cada portão, cada grade, um pedaço da sua história. Entre a missa e o noticiário, não se cala: cobra, opina, representa quem construiu Aparecida com suor.
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