Violência em Aparecida cai, mas continua como uma das mais altas do estado

Segurança Publica

Aparecida de Goiânia aparece no Atlas da Violência 2026 com uma taxa de homicídios estimados maior que a média de Goiás e também acima da taxa nacional. O levantamento, produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a cidade registrou 125 homicídios oficiais em 2024. Quando entram na conta os chamados homicídios ocultos, o total estimado chega a 132 mortes, com taxa de 24 homicídios por 100 mil habitantes.

O número coloca Aparecida em uma posição que exige atenção. A taxa da cidade ficou acima da média brasileira, que foi de 23,4 homicídios estimados por 100 mil habitantes em 2024. Também superou com folga a média de Goiás, que ficou em 19,3. Em termos simples, Aparecida teve um resultado pior que o do estado e ligeiramente pior que o do país no indicador principal usado pelo estudo.

O que o Atlas mede

O Atlas da Violência trabalha com os homicídios registrados oficialmente e também com uma estimativa de mortes que podem ter sido homicídios, mas não entraram assim nos registros iniciais. Essas mortes são chamadas de homicídios ocultos. O próprio estudo explica que isso acontece quando a causa de uma morte violenta não fica bem definida nos sistemas de saúde. Para reduzir essa falha, o relatório soma aos registros oficiais uma estimativa feita por metodologia estatística.

No caso de Aparecida, foram 7 homicídios ocultos somados aos 125 registros oficiais. Isso representa cerca de 5,3% do total estimado da cidade. O dado mostra que a maior parte das mortes já estava registrada como homicídio, mas também indica que há casos que só aparecem quando a análise é aprofundada.

Aparecida acima de Goiás

Goiás registrou 1.419 homicídios estimados em 2024, contra 1.612 no ano anterior. A queda estadual foi de 12% em um ano. Mesmo com essa melhora, Aparecida ficou acima da média goiana, com taxa de 24, enquanto o estado marcou 19,3 por 100 mil habitantes.

Essa diferença é importante porque Aparecida tem cerca de 550,9 mil moradores e responde por 132 homicídios estimados. Isso significa que a cidade concentrou aproximadamente 9,3% dos homicídios estimados de Goiás, uma participação maior do que seu peso populacional dentro do estado. Em uma cidade grande, com bairros populosos e forte ligação diária com Goiânia, esse tipo de dado ajuda a entender onde a violência letal ainda pesa mais.

Comparação com o Brasil

O Brasil teve 49.673 homicídios estimados em 2024. A taxa nacional ficou em 23,4 por 100 mil habitantes, praticamente estável em relação a 2023. O Atlas aponta que, embora a taxa registrada oficialmente tenha caído para 20,1, a taxa estimada mostra um quadro mais preocupante, porque inclui as mortes que podem ter ficado escondidas nos registros.

Aparecida, com taxa de 24, ficou pouco acima da média nacional. A diferença parece pequena, mas ganha peso porque Goiás, como estado, teve resultado melhor que o Brasil. Ou seja, Aparecida não acompanha o desempenho geral do estado quando se observa a taxa de homicídios estimados.

Como Aparecida fica entre cidades goianas

Entre os municípios goianos com mais de 100 mil habitantes listados no Atlas, Aparecida não aparece entre os piores casos do país, mas fica em posição elevada dentro do estado.

Planaltina teve taxa de 32,5 homicídios estimados por 100 mil habitantes, com 36 mortes estimadas. Luziânia marcou 31,1, com 68 homicídios estimados. Senador Canedo ficou em 27,1, com 46 casos. Esses três municípios ficaram acima de Aparecida.

Depois deles aparece Aparecida, com taxa de 24 e 132 homicídios estimados. O dado chama atenção porque a cidade tem uma população bem maior que Planaltina, Luziânia e Senador Canedo. Por isso, mesmo com taxa menor que essas três, o volume absoluto de mortes é mais alto.

Na comparação com Goiânia, Aparecida fica em situação pior pela taxa. A capital teve 219 homicídios estimados, mas, por ter população de quase 1,5 milhão de habitantes, sua taxa ficou em 14,7. Isso mostra que o risco proporcional de homicídio foi maior em Aparecida do que em Goiânia, segundo o Atlas.

Outras cidades goianas também aparecem abaixo de Aparecida. Rio Verde teve taxa de 15,5; Valparaíso de Goiás, 15; Catalão, 14,9; Trindade, 13,3; e Anápolis, 7,9. Anápolis, em especial, chama atenção porque tem população de 415,8 mil habitantes e registrou 33 homicídios estimados, taxa bem menor que a de Aparecida.

Cidades do Entorno também preocupam

O recorte goiano mostra um peso forte em cidades do Entorno do Distrito Federal. Planaltina, Luziânia, Águas Lindas, Novo Gama e Valparaíso aparecem no levantamento. Algumas têm taxas maiores que a média de Goiás, enquanto outras ficam abaixo de Aparecida.

Águas Lindas, por exemplo, teve 45 homicídios estimados e taxa de 18,7. Novo Gama marcou 17,7. Formosa e Caldas Novas ficaram em 19,1. Jataí marcou 19,9. Todas essas taxas estão abaixo da de Aparecida, mas algumas ainda superam a média estadual.

O que os dados mostram para Aparecida

O principal ponto do levantamento é que Aparecida segue com um nível de violência letal acima do esperado para a média estadual. A cidade não está isolada nesse problema, já que outros municípios goianos também apresentam taxas elevadas. Mesmo assim, por ser a segunda maior cidade de Goiás e estar ligada diretamente à Região Metropolitana de Goiânia, o resultado pesa mais.

O Atlas também mostra que Goiás teve uma das maiores reduções da taxa estimada entre 2014 e 2024, com queda de 56,9%. Isso ajuda a entender que o estado melhorou no período mais longo, mas Aparecida ainda aparece acima das médias usadas como comparação.

A leitura final é clara: a taxa de 24 homicídios por 100 mil habitantes coloca Aparecida acima de Goiás e do Brasil, atrás apenas de alguns municípios goianos com índices mais altos. Esperamos que os próximos levantamentos mostrem se a cidade conseguirá se aproximar da média estadual ou se continuará carregando uma parcela maior da violência letal em Goiás.

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